Compositor: Álvaro Felipe Henríquez Pettinelli
Meus olhos vêm do ar
Minhas mãos tingem o mar
Minhas pernas são tão longas e meu pescoço é uma geleira
As veias doloridas de sangue que, ao gotejar
Deixava unhas negras cansadas de arranhar
A água me queima
O fogo me alivia
E nunca aprendo
Outra vez tropeço com o mesmo desdém
Do amor tranquilo quando já não existe o bem
Se você fosse uma fera eu seria tão feliz
Abraçaria o mundo e entenderia enfim
Que sou de fogo
E sou eterno
E não me consolo
Se eu não me transformar logo em sabiá
Vou virar mato e não poderei chegar
Às suas margens eternas cheias de verdade
Temporal tormentoso, deixa-me chegar ao mar
Para me queimar e ficar cego
Morrer de velho